CPI rejeita indiciamento de Moraes, Toffoli e Gilmar por 6 a 4, mas o caminho até a votação gerou tanta polêmica quanto o resultado
Articulação entre governo Lula, STF e presidente do Senado para trocar membros da comissão no dia da votação domina o debate.
A CPI do Crime Organizado do Senado rejeitou, na terça-feira, o relatório do senador Alessandro Vieira que propunha o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet. Placar: 6 a 4. A comissão encerrou os trabalhos sem nenhum parecer aprovado. O que precedeu a votação é tão relevante quanto ela. Folha de S.Paulo, Poder360 e Estadão confirmam que houve articulação conjunta entre o governo Lula, ministros do STF e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para derrotar o relatório, incluindo a troca de três integrantes da CPI. O Poder360 e a CartaCapital apontam que essa substituição ocorreu no próprio dia da votação, ampliando a influência do PT na comissão, embora esse detalhe específico ainda não tenha sido confirmado por outras redações. Dos 6 votos contrários, 4 foram de senadores petistas. Vieira reagiu afirmando que o governo 'atravessou a rua para proteger ministros'. Do outro lado, Fachin falou em 'desvio de finalidade' da CPI; Toffoli disse que o relatório pode levar à inelegibilidade do relator; e Gilmar Mendes anunciou que pedirá à PGR que investigue Vieira por abuso de autoridade. Gilmar também afirmou não haver base legal para a CPI indiciar ministros por crime de responsabilidade. A Folha de S.Paulo aponta que Vieira deixou de fora do indiciamento facções, congressistas e empresários, descrevendo a escolha como técnica. Gilmar rebateu dizendo que o relator esqueceu de indiciar 'colegas de milícia', sugerindo motivação política. As três contradições centrais desta história, entre legitimidade da investigação, seletividade do relatório e natureza da articulação para derrubá-lo, não têm resposta consensual nas fontes que consultamos. Um dado contextual relevante, trazido pela BBC News Brasil e confirmado por uma única fonte: mesmo que o relatório tivesse sido aprovado pela CPI, a decisão de abrir processo de cassação dos ministros caberia ao próprio presidente do Senado, o mesmo Alcolumbre que articulou sua derrota.
- ≠ Vieira afirma que a CPI agiu dentro de suas atribuições; Fachin, Toffoli e Gilmar sustentam que houve desvio de finalidade e que não há base legal para o indiciamento de ministros.
- ≠ Vieira descreve a exclusão de facções e congressistas do relatório como escolha técnica; Gilmar Mendes sugere que a seletividade foi política, dizendo que o relator esqueceu de indiciar 'colegas de milícia'.
- ≠ Vieira afirma que o governo articulou com o STF para derrubar o relatório trocando membros da CPI; ministros do STF minimizam o relatório e afirmam que parlamentares não reuniram elementos para justificar abertura de processo de afastamento.
- Quais foram os nomes dos três integrantes da CPI trocados na articulação e quem os substituiu.
- Quais eram as acusações específicas contra cada ministro do STF e contra Paulo Gonet no relatório.
- Se a investigação da PGR contra Alessandro Vieira solicitada por Gilmar Mendes terá algum desdobramento concreto.
- Se haverá consequências legislativas ou judiciais após a rejeição do relatório.
- Qual era o escopo original da CPI antes de incluir ministros do STF, e como a investigação migrou para esse foco.
- Se Alcolumbre se manifestou publicamente sobre a troca de integrantes da CPI.
Os fatos centrais desta história, o placar da votação, a articulação entre governo e STF e as declarações dos ministros, estão confirmados por três ou mais fontes independentes. A troca de membros da CPI no dia da votação e a ampliação da influência do PT vêm de duas fontes (Poder360 e CartaCapital) e foram sinalizadas com hedging. O detalhe sobre a competência do presidente do Senado para abrir processo de cassação vem de uma única fonte (BBC News Brasil) e foi atribuído explicitamente.