CCJ da Câmara abre caminho para o fim da escala 6x1, mas a briga real começa agora
Comissão aprovou por unanimidade a admissibilidade de duas PECs que reduzem a jornada; o mérito vai para uma comissão especial onde o setor empresarial promete resistir.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade e em votação simbólica, a admissibilidade de duas PECs que acabam com a escala de trabalho 6x1. O relator foi Paulo Azi (União-BA), com parecer favorável. Uma das propostas é a PEC 221/2019, que reduz a jornada semanal; a outra foi apresentada em 2025 pela deputada Erika Hilton. Vale entender o que a CCJ decidiu e o que não decidiu. A comissão analisou apenas se as propostas são constitucionais, não o mérito. O debate real acontece agora na comissão especial, que terá 40 sessões para discutir o conteúdo antes de o texto, se aprovado, ir ao plenário. O setor empresarial já se prepara para travar essa batalha. A disputa econômica é intensa e as estimativas variam conforme quem as produz. A CNI, entidade patronal, projeta que o fim da escala 6x1 elevaria os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano. O economista Daniel Duque, da FGV Ibre, alerta que uma semana de 36 horas traria dano relevante à atividade e ao emprego. Na Folha, outros especialistas sustentam que um escalonamento suavizaria o impacto. O governo Lula optou por uma via paralela: mandou ao Congresso um PL com urgência constitucional reduzindo a jornada de 44 para 40 horas sem corte salarial. São, na prática, dois projetos com ambições distintas tramitando ao mesmo tempo, a PEC muda a Constituição e mira 36 horas, o PL altera a CLT e mira 40. Qual dos dois avança mais rápido, e se chegam a convergir, é o que vai definir o tamanho real da mudança.
- ≠ A PEC mira uma jornada de 36 horas semanais (escala 4x3), enquanto o PL do governo propõe redução mais moderada, de 44 para 40 horas
- ≠ FGV Ibre e CNI projetam impacto econômico elevado (até 6,2% do PIB e até R$ 267 bi/ano em custos); outros especialistas ouvidos pela Folha sustentam que o escalonamento reduziria esses efeitos
- Quem será o relator do mérito na comissão especial e qual sua composição
- Prazo esperado para conclusão dos trabalhos da comissão especial
- Qual das duas vias (PEC de 36h ou PL de 40h) tem mais chance real de avançar
- Posição do presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o mérito
- Se haverá mecanismos de compensação para empresas no texto final
- Quais setores seriam mais afetados (comércio, serviços, indústria)
Os fatos centrais sobre a votação, o relator, as propostas e os próximos passos estão confirmados por múltiplas fontes, incluindo o site da Câmara. As estimativas de impacto econômico variam bastante conforme quem produz o estudo, e sinalizamos essa divergência no corpo do texto.