Sexta-feira, 3 de julho de 2026 · 5 histórias · 4 min de leitura
O essencial do dia, verificado
EconomiaHistória 01
Estatais federais lucram R$ 169,4 bilhões, mas Banco Central vê déficit
Petrobras responde sozinha por 65% do resultado; Correios amargam prejuízo recorde e contas fiscais fecham no vermelho
9 fatos confirmados em 10 fontes
A Petrobras respondeu sozinha por cerca de 65% do lucro das estatais federais em 2025: R$ 110,6 bilhões dos R$ 169,4 bilhões apurados nas 44 empresas controladas pela União. Somada a BNDES e Banco do Brasil, a fatia sobe para 90,9%. Os Correios, no outro extremo, tiveram prejuízo recorde. Há um paradoxo importante: apesar do lucro contábil, o Banco Central registrou déficit fiscal de R$ 5,1 bilhões no setor, o segundo pior da série histórica. Lucro concentrado não é o mesmo que saúde fiscal distribuída.
Na prática · escala
Segundo o Ministério da Educação, a recomposição integral do orçamento de 2026 das instituições federais de ensino soma R$ 977 milhões, valor equivalente a menos de 0,6% do lucro de R$ 169,4 bilhões registrado pelas estatais federais em 2025.
Lucro recorde de estatais já conviveu com déficit fiscal antes no Brasil?
Sim, a coexistência entre lucro contábil das estatais e déficit fiscal apurado pelo Banco Central não é inédita no Brasil. Em 2024, o Ministério da Gestão reconheceu que parte do déficit das estatais federais refletia materialização de investimentos, mesmo em ano de resultados positivos de empresas como Petrobras, num descolamento entre balanço societário e resultado primário (Gov.br, outubro de 2024). Já em 2025, dados divulgados pelo G1 com base no BC mostraram que o rombo das estatais federais chegou a R$ 5,9 bilhões até abril de 2026, superando todo o ano de 2025 e configurando recorde histórico da série, apesar dos lucros bilionários informados pelas maiores companhias (G1, maio de 2026). O manual do Tesouro Nacional detalha que a metodologia da NFSP mede fluxo de caixa primário, não lucro contábil, o que explica a divergência. O padrão histórico indica que lucro concentrado em Petrobras, BB e BNDES pode conviver com deterioração fiscal do conjunto.
O Banco Central divulga a próxima Nota de Estatísticas Fiscais no fim de dezembro, com o resultado primário das estatais federais até novembro. Acompanhe em dadosabertos.bcb.gov.br.
Acompanhe: Banco Central - Estatísticas Fiscais (dadosabertos.bcb.gov.br), Tesouro Nacional - Resultado do Tesouro Nacional (RTN), Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (Sest), Valor Econômico - editoria Brasil, G1 Economia
≠ Alta do lucro em 2025: 45,4% em termos nominais (Money Times/MGI) contra 38% em termos reais (Folha de S.Paulo). Não é erro de apuração: é a diferença entre valores correntes e valores ajustados pela inflação.
Fatos verificados
● Fonte institucional · ○ Fonte jornalística
○
As estatais federais registraram lucro líquido agregado de R$ 169,4 bilhões em 2025
Apesar do lucro contábil positivo, o setor de estatais federais registrou déficit fiscal de R$ 5,1 bilhões em 2025 segundo o Banco Central, o segundo pior da série histórica
Déficit das estatais federais atribuído a investimentos (2024): Ministério da Gestão explicou que parte do déficit fiscal das estatais federais refletia materialização de investimentos, mesmo com lucros contábeis positivos nas maiores empresas.
Confirmado
Gov.br - Ministério da Gestão
○
Metodologia NFSP do Tesouro Nacional: Manual do Boletim Resultado do Tesouro Nacional detalha que a NFSP mede fluxo primário de caixa, distinto do lucro contábil apurado pelas empresas.
Confirmado
Tesouro Nacional
○
O patrimônio líquido conjunto das estatais federais alcançou cerca de R$ 1 trilhão em 2025
+ 2 fato(s) adicionais com a mesma certeza verificados nos bastidores
O que não conseguimos verificar
Qual o valor exato do prejuízo dos Correios em 2025
Como se distribuiu o resultado entre as demais estatais além de Petrobras, BNDES, Banco do Brasil e Correios
Como verificamos
Money Times e MGI reportam alta nominal de 45,4% no lucro; a Folha de S.Paulo aponta 38% em termos reais, já descontada a inflação. Os dois números descrevem o mesmo balanço em bases diferentes.
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EconomiaHistória 02
Vendas de carros elétricos triplicam no Brasil no primeiro semestre
Fenabrave revisa projeção anual de 3% para 8,6% após emplacamentos de elétricos saltarem 196%
6 fatos confirmados em 10 fontes
Os brasileiros compraram quase o triplo de carros elétricos no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025: foram 90.470 unidades emplacadas, alta de 196%. Somando híbridos, que cresceram 85% e chegaram a 154.472 unidades, o país emplacou cerca de 244 mil eletrificados no semestre. O ritmo foi tão fora da curva que a Fenabrave, em 2 de julho, revisou sua projeção anual de crescimento do setor de 3% para 8,6%. Num mercado que vinha patinando, quase triplicar uma projeção em seis meses é a notícia dentro da notícia.
A Fenabrave revisou para cima sua projeção de crescimento nas vendas de veículos novos no Brasil em 2026, elevando a previsão para alta de 8,6%.
Confirmado
Agência Brasil, O Povo, Terra
○
Entre janeiro e junho de 2026 foram emplacados 90.470 carros elétricos no Brasil, segundo dados da Fenabrave.
Confirmado
G1, Estadão (Jornal do Carro), CNN Brasil, Correio Braziliense
○
As vendas de carros elétricos no primeiro semestre de 2026 representam aumento de 196% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram emplacadas cerca de 30.534 unidades.
Confirmado
G1, Estadão (Jornal do Carro), CNN Brasil, Economic News Brasil
●
A revisão da projeção da Fenabrave foi divulgada em 2 de julho de 2026.
As vendas de veículos híbridos no Brasil atingiram 154.472 unidades no primeiro semestre de 2026, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Fenabrave.
Confirmado
BPMoney, Correio Braziliense, CNN Brasil
○
A projeção inicial da Fenabrave, divulgada em janeiro de 2026, era de crescimento de cerca de 3% nas vendas de veículos no ano, o que evidencia a magnitude da revisão para 8,6%.
Confirmado
Valor Econômico, Jornal do Comércio
○
O mercado de motos elétricas no Brasil vive fase de expansão acelerada em 2026, com diversificação para além de scooters utilitárias e modelos de entrega, incluindo produtos focados em design, tecnologia e experiência de pilotagem.
O BYD Dolphin Mini, 100% elétrico, tornou-se um dos veículos mais vendidos do canal de varejo no Brasil em 2026, reforçando o peso das montadoras chinesas na expansão do segmento elétrico.
Provável
CGTN Español, ClickPetróleoeGás
○
Somando híbridos e elétricos, o Brasil emplacou cerca de 244 mil unidades eletrificadas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 214,86% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Fenabrave.
Provável
Correio Braziliense, BPMoney
O que não conseguimos verificar
Qual a participação percentual dos elétricos no total de vendas do setor em 2026
Quais fatores explicam o salto de 196% (incentivos, novos modelos, preços da BYD e demais chinesas)
Como verificamos
Os números da Fenabrave são reportados de forma consistente pelas fontes consultadas. Os fatores por trás do crescimento não foram explicados nas matérias que analisamos, e não localizamos análises acadêmicas independentes sobre a sustentabilidade do ritmo.
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EconomiaHistória 03
Embraer entrega 65 aeronaves e tem seu melhor 2º trimestre em 16 anos
Alta de 7% ante 2025 leva primeiro semestre a 109 aviões; guidance de 80 a 85 jatos comerciais no ano segue mantido
7 fatos confirmados em 9 fontes
A Embraer não entregava tantos aviões num segundo trimestre desde 2010. Foram 65 aeronaves entre abril e junho, alta de 7% sobre o mesmo período de 2025, informou a empresa em documento enviado ao mercado na quinta-feira (2 de julho). No semestre, são 109 aeronaves, contra 91 um ano antes, avanço de cerca de 20%. A companhia manteve o guidance de 80 a 85 jatos comerciais e 160 a 170 executivos em 2026. O ritmo do primeiro semestre coloca a projeção anual ao alcance sem sobressaltos.
Na prática · escala
Segundo a Forecast International, até 30 de novembro de 2025 a Airbus havia entregue 657 aeronaves comerciais e a Boeing, 537, o que ajuda a dimensionar as 65 entregas da Embraer no trimestre e seu guidance de 80 a 85 jatos comerciais em 2026.
A Embraer manteve a projeção (guidance) para 2026 de entregar entre 80 e 85 jatos comerciais (ponto médio com crescimento de cerca de 6% ano contra ano) e entre 160 e 170 jatos executivos.
Confirmado
CartaCapital, Seu Dinheiro, Embraer (media-center), Investalk BB
○
As informações foram divulgadas em documento enviado ao mercado na quinta-feira (2 de julho de 2026).
Na Aviação Comercial, a Embraer entregou 20 aeronaves no 2º trimestre, sendo seis delas do modelo E195-E2.
Provável
UOL/Estadão Conteúdo
○
As 65 entregas do 2º trimestre foram 48% superiores às realizadas no 1º trimestre de 2026.
Provável
UOL/Estadão Conteúdo
●
O desempenho foi favorecido pelo maior volume de entregas de jatos de pequeno e médio porte, refletindo a estratégia da companhia.
Provável
Agência Brasil
○
O BTG Pactual segue com visão otimista para a ação da Embraer (EMBJ3) após os resultados de entregas do 2º trimestre.
Provável
BTG Pactual (via Seu Dinheiro)
O que não conseguimos verificar
Qual foi a receita e o resultado financeiro do trimestre, que só sairão no balanço completo
Como está a carteira de pedidos (backlog) no fechamento do 2º trimestre
Como verificamos
Os números de entregas foram divulgados pela própria Embraer e replicados por sete redações, com valores consistentes. O detalhamento por segmento (aviação comercial, executiva, defesa) apareceu apenas em uma fonte e não foi incluído no corpo.
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GeopolíticaHistória 04
Irã inicia funeral de sete dias para Khamenei quatro meses após sua morte
Procissões vão de 3 a 9 de julho entre Irã e Iraque; Teerã adverte EUA e Israel contra novos ataques durante o período.
3 fatos confirmados em 10 fontes
Quatro meses depois de ser morto no ataque conjunto de EUA e Israel que abriu a guerra em 28 de fevereiro, Ali Khamenei finalmente será sepultado. As cerimônias começam em 4 de julho em Teerã e terminam em 9 de julho. Os números de público divergem: a France 24 fala em 15 milhões de pessoas; a vice-prefeitura de Teerã, citada pela Anadolu, projeta 20 milhões. Ambas as estimativas vêm de fontes iranianas, sem checagem independente. O funeral virou o primeiro grande teste público do regime desde a guerra.
Desdobramento
Segundo o Washington Post, o Irã instalou um conselho interino para conduzir uma sucessão opaca e incerta ao cargo de líder supremo, em meio à transição de liderança em tempo de guerra após a morte de Khamenei.
Ali Khamenei foi morto em 28 de fevereiro de 2026 em ataque conjunto inédito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no primeiro dia da guerra.
Confirmado
France 24, The New York Times, Folha de S.Paulo, Estadão
○
As cerimônias fúnebres começam em 4 de julho em Teerã e o sepultamento está previsto para 9 de julho, após atrasos prolongados desde a morte de Khamenei em razão dos bombardeios de EUA e Israel.
As autoridades iranianas esperam grande afluência em Teerã para o tributo, cerca de 15 milhões de pessoas segundo France 24, e até 20 milhões segundo a vice-prefeitura de Teerã citada pela agência Anadolu.
Para a especialista em Relações Internacionais Ana Carolina Marson (FESPSP), a morte de Khamenei aumenta a instabilidade no Irã, embora a estrutura de poder do regime seja consolidada e não signifique a queda automática do sistema teocrático.
Provável
Ana Carolina Marson (FESPSP via CNN Brasil)
○
Segundo o professor de Relações Internacionais Vinícius Vieira, a confirmação de Mojtaba Khamenei sinaliza continuidade do regime islâmico, sem alteração no posicionamento hostil a EUA e Israel.
Provável
Prof. Vinícius Vieira (via CNN Brasil)
○
Para o professor Héctor Luis Saint-Pierre (Unesp), especialista em segurança internacional, a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã que matou Khamenei é ilegal porque não encontra respaldo nas regras internacionais.
Provável
Prof. Héctor Luis Saint-Pierre (Unesp via Jornal da Unesp)
O que não conseguimos verificar
Onde exatamente Khamenei será sepultado em 9 de julho
Se as estimativas de 15 a 20 milhões de participantes são realistas ou infladas por autoridades iranianas
Como verificamos
Os números de público vêm de fontes iranianas (France 24 citando autoridades locais, e vice-prefeitura de Teerã via Anadolu e Kayhan) e não foram checados de forma independente. Também não confirmamos de forma independente a autenticidade das imagens do caixão divulgadas na conta oficial de Khamenei.
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GeopolíticaHistória 05
Rússia lança um dos maiores ataques contra Kyiv em 2026
Mísseis e drones destruíram prédios residenciais e um hotel no centro; Polônia mobilizou caças
5 fatos confirmados em 8 fontes
Kyiv acordou nesta quinta sob um dos maiores ataques russos desde o início da guerra, segundo o prefeito Vitali Klitschko. Mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones atingiram prédios residenciais e incendiaram um hotel no centro da capital. O número de mortos ainda oscila: BBC fala em pelo menos 30; Reuters, DW e NYT em 27; balanços iniciais apontavam 17 a 18. Zelensky visitou os escombros e prometeu retaliação, dias após alertar sobre um 'ataque massivo'. A Polônia mobilizou caças, sinal de como a guerra segue roçando o espaço aéreo da OTAN.
Desdobramento
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, anunciou que proporá novas sanções contra empresas que apoiam o complexo militar-industrial russo em resposta ao ataque, afirmando que palavras de condenação não bastam para deter os ataques a Kyiv.
≠ O número de mortos diverge: BBC reporta pelo menos 30; Reuters, DW e NYT falam em 27; balanços iniciais da Reuters/UOL e da Folha de Pernambuco apontavam 17 a 18.
Fatos verificados
● Fonte institucional · ○ Fonte jornalística
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A Rússia lançou um ataque massivo contra Kyiv usando mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones na madrugada de 2 de julho de 2026.
O prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, afirmou que este foi um dos maiores ataques contra a cidade desde o início da guerra, com a maior destruição registrada na capital em 2026 até o momento.
Zelensky havia alertado previamente que Moscou preparava um 'ataque massivo', em um momento em que forças ucranianas intensificavam ataques com drones contra o sistema energético russo, incluindo refinarias em território russo.
Provável
New York Times, Folha de S.Paulo, Diário de Notícias (Portugal)
○
A Polônia mobilizou caças em resposta ao ataque, em razão da proximidade das ações russas com o espaço aéreo da OTAN.
Provável
Folha de S.Paulo
○
A Reuters descreve o ataque como uma resposta russa à campanha ucraniana de bombardeios contra o sistema energético russo, incluindo refinarias.
Provável
Reuters, Folha de S.Paulo
○
O número de mortos no ataque é reportado de forma variada, com o balanço subindo ao longo do dia: pelo menos 30 (BBC), pelo menos 27 (DW, NYT e Reuters), pelo menos 18 (Reuters/UOL em versão anterior) e pelo menos 17 (Folha de Pernambuco). O ataque é descrito pela Reuters como o mais letal contra Kyiv em 2026.